Hotel em São Paulo
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1º hotel de luxo de SP, Ca’d’Oro reabre as portas com acervo histórico

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Primeiro hotel cinco estrelas de SP reabriu após quase sete anos de paralisação (Foto: Fabio Tito/G1)

“Uma brincadeira entre o moderno e o antigo”. É desta forma que o gerente geral, Fabrizio Guzzoni, apresenta, entre um gole de café e outro, o resultado da reforma pela qual passou o Hotel Ca’d’Oro, o primeiro cinco estrelas e um dos mais tradicionais de São Paulo, que reabriu as portas na última semana após quase sete anos de obras.

Localizado na região do Baixo Augusta, próximo à Avenida Paulista, o Ca’d’Oro havia fechado as portas em dezembro de 2009, após 53 anos de atividade ininterrupta.

Acostumado a receber celebridades, como o tenor italiano Luciano Pavarotti e chefes de estado, como o rei espanhol Juan Carlos, o hotel sucumbiu à degradação que atingiu o Centro da capital nas últimas décadas e já vivia uma realidade bem distante do seus tempos áureos. As reservas, antes abundantes, passaram a ser cada vez mais escassas.

Para Guzzoni, que além de gerente é herdeiro da marca, a mudança na geografia da cidade foi a principal responsável pela queda no número de clientes. O centro empresarial e financeiro da capital, que se concentrava quase que exclusivamente na região da Paulista, migrou para outras áreas, como a Berrini e Faria Lima, e o hotel, que chegou a ter cerca 400 quartos, tornou-se obsoleto: a oferta já era muito maior do que a demanda.

“O trânsito de São Paulo é um pouco caótico então você tem esse problema, de cliente falar: ‘Fabrizio, adoro o seu hotel, mas meu escritório é hoje na Berrini. Eu não posso mais me hospedar com você porque eu demoro uma hora e meia para ir e uma hora e meia para voltar”, explicou.

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Lobby do novo hotel reúne mobiliário moderno e obras de arte do antigo prédio (Foto: Fabio Tito/G1)

Venda e obras

A arquitetura do novo Ca’d’Oro em nada lembra o antigo. Ele foi vendido pela família Guzzoni e, sua estrutura, totalmente demolida. O terreno foi adquirido pela incorporada Brookfield, que criou o chamado “empreendimento misto” no local. Duas torres foram erguidas lá: uma exclusivamente residencial, com entrada pela Rua Caio Prado, e outra híbrida, que reúne salas comerciais e o hotel, com acessos pela Rua Augusta.

Apesar de funcionarem no mesmo prédio, os escritórios e o Ca’d’Oro têm estrutura independente. Cada um tem os seus elevadores, seu estacionamento e até a sua portaria em números distintos da Augusta. O projeto foi definido como “incomum” pelo próprio diretor da incorporadora, Ricardo Laham.

Nos primeiros 18 andares do edifício funcionam as salas comerciais e, do 19º ao 27º (último andar), ficam os 147 apartamentos do hotel. Também não há acesso interno entre os empreendimentos. Ou seja, em caso de emergência e inutilização do elevador, os hóspedes têm de estar preparados para uma boa caminhada pelas escadas.

Ao todo, a Brookfield investiu mais de R$ 300 milhões para erguer o complexo. A incorporadora já negociou todos os imóveis e, mencionado na compra do terreno, a gerência do Ca’d’Oro ficou a cargo da família Guzzoni. Mais de R$ 15 milhões foram investidos só na parte de decoração do hotel e do restaurante que funciona no térreo dele.

De acordo com Laham, a empresa decidiu apostar no Centro pela “abundância de infraestrutura” da região em pontos como transporte e lazer, e também pelas facilidades oferecidas pela Operação Urbana Centro, da Prefeitura, que estimula os investimentos na área. “Isso desperta interesse do desenvolvimento imobiliário”, contou.

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Gerente Fabrizio mostra orgulhoso o exemplar de Erard que tem no restaurante (Foto: Fabio Tito/G1)

Acervo

Se pouco restou do tradicional hotel na arquitetura e nos quartos, a família Guzzoni se esforçou para dar um toque vintage no lobby e nas áreas comuns do novo Ca’d’oro. Diversas obras de arte que ficavam expostas no antigo hotel foram espalhadas pelo edifício e dão um contraponto à moderna decoração assinada por uma ex-cliente.

Entre elas, chamam a atenção o raro e volumoso piano de cauda Erard, fabricado na França em 1850, disposto em um canto do restaurante, e a escultura do italiano Bartolomeo Colleoni, que fica na entrada da biblioteca.

Nascido em Bergamo, mesma cidade dos Guzzoni, Colleoni também é homenageado no cardápio do Ca’d’Oro. Diz a lenda que tamanha era a sua bravura que o italiano tinha três testículos. Um prato servido pelo restaurante com três figos faz referência à história.

Além da lista de obras, que ainda abrange quadros e mapas antigos, o Ca’d’Oro traz também um “acervo histórico de pessoas”. Cerca de dez funcionários, que precisaram ser demitidos quando o hotel fechou as portas, aceitaram o convite dos donos e voltaram a trabalhar no local. “A gente sempre acreditou que a rotatividade de funcionários é um crime contra a excelência de serviço”, afirma o gerente Fabrizio Guzzoni.

Um deles é o mensageiro Mario Roberto, de 68 anos, que trabalhou no hotel de 1979 até o último dia antes da paralisação das atividades, em 2009. “Fiquei muito emocionado. Depois de tanto tempo. Estava em casa, aposentado, e de repente me dão mais uma oportunidade. Eu fiquei muito contente. Queria voltar. É um sonho”, relatou, com lágrimas nos olhos.

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Mensageiro Mario, de 68 anos, trabalhou por 30 anos no hotel e agora foi recontratado (Foto: Fabio Tito/G1)

Novo formato

O novo Ca’d’Oro vai operar com 147 quartos. Até este domingo (9), apenas 20% deles estavam disponíveis para reserva, em uma espécie de teste para “aperfeiçoar o serviço”, como explicou Guzzoni.

Segundo ele, a operação vai ser implementanda gradualmente. Até o fim de outubro a expectativa é já ter o hotel funcionando com 60% de sua capacidade e, até março de 2017, integralmente. O restaurante já está atendendo os hóspedes e abre para o público em geral a partir desta segunda-feira (10).

Além do restaurante, a estrutura do hotel conta com biblioteca, salas de reunião, auditórios, e mimos como piscina, sauna e academia. Famoso por ser o primeiro cinco estrelas de São Paulo, o hotel agora será “um quatro estrelas, com atendimento cinco estrelas”, promete o gerente.

Os hóspedes terão três opções de quartos, com preços que variam de acordo com seus tamanhos e com a demanda por reservas. A diária do mais rebuscado, que oferece duas antesalas e uma varanda além da suíte, custa em média R$ 1700. Já o apartamento mais simples, com apenas um cômodo e um banheiro, tem preço médio de R$ 1200/dia.

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Restaurante do hotel passa a atender público em geral a partir desta segunda (10) (Foto: Fábio Tito/G1)
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Suíte executiva do hotel tem antesala que serve de escritório para hóspedes (Foto: Fabio Tito/G1)
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Hotel fica na Rua Augusta e tem visão privilegiada da região central de São Paulo (Foto: Fabio Tito/G1)

Fonte: g1.globo.com

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